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É a volta da onda do IPO?

Fonte: Época Negócios - 03/08/2009

A abertura de capital da Visanet ainda é exceção, mas o investidor quer novas empresas que mirem no mercado interno (e na classe C), com boas histórias para contar

CASA POPULAR - Rubens Menin, controlador da construtora mineira MRV, que captou R$ 722 milhões no mercado de capitais em julho. Os investidores aprovam a concentração de 85% de seus negócios nas classes C e D

Ainda no setor de energia e também por meio de emissão de títulos de suas dívidas, a Elektro, distribuidora que atua nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, captou R$ 300 milhões, e a Tractebel, que atende Mato Grosso, Ceará, Piauí e Minas Gerais, levantou outros R$ 600 milhões. A Light, concessionária carioca, também fez uma nova oferta de ações em julho. "Energia é um fator crítico de sucesso para sustentar o crescimento", afirma Luiz Felipe Alves, presidente da Cypress Associates, consultoria em finanças corporativas que assessora companhias na captação de recursos.

O movimento em curso de recuperação do mercado segue um roteiro observado em crises anteriores. A confiança do investidor é reconquistada aos poucos. Primeiramente, com papéis de menor risco, como as debêntures. Depois, com novas emissões de empresas já negociadas em bolsa. E só mais tarde por meio de aberturas de capital. O IPO da Visanet, por enquanto, é a exceção, e acredita-se que seguirá sendo por algum tempo. Enquanto o mercado mostra pouco apetite por novatas, o consolo das companhias que estavam prontas para estrear na bolsa é aproveitar esse período de entressafra para lapidar as histórias que contarão aos investidores quando chegar o momento da abertura de capital. Em alguns casos, com o suporte de fundos de private equity.

Com a chegada da crise, 36 empresas que estavam em processo de abertura de capital adiaram seus planos. Dessas, 11 foram parar nas carteiras de investimento de gestoras de private equity. Uma delas é a Droga Raia, que estava com tudo pronto para fazer seu IPO em dezembro de 2007. Os primeiros sinais da crise internacional levaram a rede de drogarias a rever seu projeto."Não queríamos ter nossas ações cotadas a um preço que não correspondia à realidade da empresa", afirma Eugênio De Zagottis, vice-presidente comercial. A alternativa foi abrir mão da abertura de capital e vender 30% de suas ações para dois fundos de private equity. Metade para a Gávea Investimentos, de Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central. E metade para a Pragma Patrimônio, de José Guimarães Monforte, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.

Fundos desse tipo, quando cumprem seu papel, somam experiência em gestão e a chamada "cultura de mercado" às companhias de que se tornam sócios. Levam a elas sobretudo boas práticas de governança corporativa. Pelas contas da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap), investidores com esse perfil permanecem na empresa entre dois e quatro anos, em média. Após esse período, quando se espera que a companhia esteja mais madura e com mais valor aos olhos do mercado, retiram-se da sociedade. Fazem isso, muitas vezes, por meio da oferta de ações na bolsa. "Empresas que escolhem o caminho do venture capital ou do private equity chegam mais bem preparadas ao mercado, o que faz com que sejam mais bem avaliadas", afirma Luiz Eugenio Figueiredo, presidente da Abvcap.

Os aportes de um fundo de private equity variam de acordo com o tamanho da empresa que os recebe e da participação adquirida, mas também com o perfil do negócio. Na média, pelos dados do Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital (Cepe), da FGV, giram em torno de R$ 35 milhões. Por sua vez, os fundos de venture capital, destinados a empresas mais jovens e de menor porte, costumam variar entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões. A permanência desses últimos investidores nas companhias tende a ser maior, oscilando entre quatro e oito anos. Seguindo a lógica de foco no mercado interno e olho na classe C, os fundos de ambas as categorias estão concentrados em companhias dos setores de construção civil, infraestrutura, serviços, varejo, alimentos e bebidas. Empresas de tecnologia em geral - e de TI em especial - seguem em alta com a turma do venture capital.

Para empresas que se enquadrem nesse amplo perfil, uma boa notícia: os fundos brasileiros de private equity e venture capital têm aproximadamente US$ 11 bilhões captados e ainda não investidos. Uma parceria com um (ou mais) deles não chega a ser um visto de entrada para o Novo Mercado da bolsa de São Paulo. Mas é garantia de um bom lugar na fila do IPO, que vai andar novamente quando os mercados voltarem a se abrir para empresas novas.

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