Fonte: Revista Carta Capital- 12/03/2008
Os investimentos na busca de novas jazidas minerais no Brasil devem chegar à casa de 500 milhões de dólares em 2008, o dobro do montante registrado há dois anos. A previsão é do sócio-diretor da Cypress Associates, Cláudio Nassur, com base nos dados da consultoria canadense Metal Economic Group. Os números, que levam em conta apenas os materiais não-ferrosos, colocam o País em oitavo lugar entre os que mais investem na atividade de exploração.
Apesar do aumento dos recursos, Nassur ressalva que o Brasil está entre os cinco países com maior potencial para a descoberta de novas jazidas, ao lado de Rússia, Estados Unidos, Canadá e Austrália. “Os dados mostram que o País pode atrair um volume muito maior de investimentos para a exploração, e o mercado de capitais é o melhor caminho para o ingresso do dinheiro”, afirma.
O exemplo a ser seguido, de acordo com o especialista, é o da Bolsa de Toronto, que se tornou um pólo de atração das companhias dedicadas à busca de jazidas. "Atualmente, 19% dos recursos de exploração têm como destino o Canadá, enquanto o Brasil detém 4% do montante, atrás de países com potencial geológico inferior, como México e Peru”, diz.
Nassur cita os exemplos de empresas exploradoras, como Verena, Iamana e Aura Minerals, que receberam capital de grupos brasileiros, mas foram abertas no Canadá, para captar recursos em Toronto. Segundo o consultor, a Bovespa tem manifestado interesse na negociação de papéis de companhias do segmento, mas a movimentação de capital no início das operações, entre 20 milhões e 30 milhões de reais, e a incerteza quanto ao retorno do investimento são características que ainda tornam a atividade pouco atraente ao mercado brasileiro.
“A busca de jazidas, ou exploração, pode levar décadas e, de cada cem tentativas, só uma dá resultado”, explica Nassur. Apesar dos riscos, a atividade é fundamental para a cadeia de mineração, em razão da forte demanda de países como China e Índia por minério, que tem levado à redução no estoque mundial de áreas prontas para a extração. “Com um ambiente institucional mais claro, melhorias na infra-estrutura e um mercado de capitais mais amadurecido, as chances de atrair investimentos e desenvolver o setor no Brasil tendem a aumentar nos próximos anos”, prevê o consultor.