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Nutriplant estréia nova realidade da bolsa

Fonte: Valor Econômico - 12/02/2008

Foi difícil, mas não impossível. A Nutriplant fechou ontem a captação que promoverá a estréia do Bovespa Mais, espaço dedicado às companhias e às emissões de menor porte e com regras exigentes de boa governança. A operação desbrava não só o novo segmento do mercado paulista mas também as ofertas de abertura de capital de 2008. Porém, fazer isso, nesse momento de turbulências nas bolsas do mundo todo, teve seu preço. Não foi barato.

A fabricante de micronutrientes de Paulínia, interior paulista, conseguiu 28,5% menos do que o piso previsto. As ações foram oferecidas com a sugestão de preço entre R$ 14,00 a R$ 18,00, mas o apetite do investidor fez com que fossem colocadas a R$ 10,00. Do mínimo de R$ 28,9 milhões que esperava adicionar ao caixa com a estréia na bolsa, a Nutriplant levantou R$ 20,7 milhões.

O resultado da operação reflete a troca de poderes que se deu no mercado com o agravamento da crise internacional. Agora quem dá as cartas é comprador e não mais com o vendedor das ações. Para apostar em novas histórias, o investidor mais do que quer, exige desconto. E grande.

A colocação da primeira novata do ano enfrentou um complicador adicional: o tamanho da operação. Trata-se de uma oferta que tem um público alvo bem mais reduzido do que as distribuições ocorridas no Novo Mercado até o fim do ano passado. Com a menor liquidez, a pressão por deságio é ainda maior.

"A operação ter sido concluída no mercado do jeito que está é uma vitória que merece ser comemorada", diz Rodrigo Pasin, sócio da Value, consultoria para fusões, aquisições e aberturas de capital.

Embora não possa servir de comparativo direto para quem pretende oferecer ações no Novo Mercado, as dificuldades enfrentadas pela Nutriplant são um termômetro importante da exigência dos investidores. Quem quiser vender ações na bolsa este ano encontrará uma platéia muito mais seletiva. Além disso, terá de abrir mão de parte do ganho, dividindo-o com o mercado, ou seja, reduzir o preço na venda dos papéis.

Sem aceitar as novas condições de preço, os especialistas acreditam as companhias que pretendem oferecer ações na Bovespa não concretizarão seus planos no primeiro semestre. Mas, a despeito do momento ruim, a fila de empresas que pretendem abrir capital não parou de crescer na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Só neste ano, BRZ Investimentos, braço da GP Investments, as companhias de exploração turístico-imobilária Global 4 e Summer, a marca de vestuário feminino Le Lis Blanc e a Hypermarcas (Assolan) entraram na lista das que aguardam aval do regulador - e um melhor cenário no mercado para lançar suas ações na praça paulista. Em 2007, até 12 de fevereiro, seis novatas já tinham estreado, movimentando R$ 3,4 bilhões - sem contar as emissões de R$ 2,3 bilhões das já abertas Embraer e Suzano Petroquímica.

Para Pasin, da Value, dimensionado a crise de crédito americana e suas conseqüências sobre a atividade global, as captações serão retomadas. Mas as avaliações das empresas não serão tão favoráveis quanto o que se viu no biênio 2006-2007. "Não é um momento de se conseguir grandes preços, o risco de as operações não saírem será maior."

Embora a Nutriplant não tenha captado o planejado, o valor obtido é mais do que suficiente para tocar seus projetos de expansão, diz o sócio da Cypress Associates, Kan Wakabaiashi. "Pelo prospecto, a empresa planejava destinar R$ 19 milhões para aumento da capacidade produtiva e capital de giro, o que quer dizer que conseguiu o mínimo para entrar na rota do crescimento."

Ao inaugurar o Bovespa Mais, a companhia abre caminho para que um mercado de acesso seja desenvolvido no Brasil, a exemplo do que já existe na Inglaterra e no Canadá, diz Wakabaiashi. E não é o preço que lhe roubará o marco. "A empresa sentiu os efeitos da situação do mercado, mas foi uma Bandeirante e deixou claro que procurou o mercado para se reestruturar."

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