Source: Jornal do Brasil - 16/12/2007
O bom desempenho das ações da Bovespa Holding e da BM&F em suas respectivas estréias no mercado acionário - a Bovespa Holding disparou 52,13% na abertura de capital a BM&F subiu 22% - aguçou o apetite dos investidores individuais por papéis de companhias novatas.
Este ano, 64 companhias realizaram IPO (Oferta Pública Inicial, na sigla em inglês) e as expectativas são de que o número de aberturas de capital em 2008 superem 2007. O volume de recursos captados pelas empresas brasileiras em ofertas públicas iniciais de ações nos dez primeiros meses de 2007 totalizou US$ 25,4 bilhões, o que representa um aumento de 300% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da consultoria Thomson Financial. A fatia brasileira do mercado global de IPO triplicou em doze meses, para 10,7% do total.
No entanto, em meio a este festival de IPOs, o investidor individual tem um árduo trabalho de separar o joio do trigo na hora de investir. O certo é que nem todo IPO pode ser considerado um bom investimento, visto que o histórico revela que, das 64 aberturas de capital realizadas este ano, em 30 (47%), as ações acumulam perdas em comparação ao preço na estréia do mercado.
As ações da Log-in, empresa de logística intermodal que abriu capital em junho, têm desvalorização de 29% no acumulado do ano até 29 de outubro, assim como os papéis da Tecnisa, que perdem 20% e os da Bematech, que estão em baixa de 17%. No entanto, entre as companhias que abriram capital este ano, algumas delas acumulam ganhos, como a empresa de construção civil PDG Realty, com valorização de 87%, a empresa de telecomunicaões GVT Holding, com alta de 67%, Anhanguera Educional, com avanço de 60%.
Para Luiz Felipe Alves, sócio-diretor da Cypress Associates, consultoria do segmento de IPOs, este foi um ano de excesso de liquidez.
- O que apareceu o investidor comprou. O investidor estrangeiro também se mostrou muito receptivo aos IPOs - conta Alves.
No entanto, a recente crise do setor imobiliário nos Estados Unidos detonada pelo segmento sub-prime teve reflexos na Bolsa brasileira e as ações das companhias novatas da Bolsa também foram penalizadas.
- Um dos motivos para as ações das empresas recém-listadas na Bolsa terem sofrido uma desvalorização foi a crise do subprime nos Estados Unidos. O Brasil ainda é um país emergente. Em momento de incerteza, os papéis dos países emergentes são os primeiros a serem vendidos - diz o executivo.
Oferta maior que a demanda
A crise americana do subprime não é o único motivo pelo qual as ações das novatas não tem tido um desempenho satisfatório. Outro fator que reflete na baixa dos papéis é o alto número de empresas abrindo capital, o que leva a uma pulverização dos investimentos.
- A oferta está maior do que a demanda. Os bancos de investimentos apressam o processo de abertura de capital das empresas alegando que é preciso aproveitar a alta liquidez internacional antes de que o cenário mude. Mas o investidor estrangeiro percebe quando a companhia não está preparada para enfrentar as exigências do mercado e desconta isso no preço das ações - diz.
Diante do expressivo número de aberturas de capital este ano, o sócio-diretor da Cypress traça perspectivas para a Bolsa para 2008.
- O próximo ano tem tudo para ter um novo boom de IPOs. As empresas novatas, que em sua maioria são de médio porte, só terão dois caminhos: ou crescem, se tornam de grande porte e entregam os resultados que prometeram aos acionistas ou estarão condenadas a serem compradas por outras do mesmo setor - avalia Alves. Segundo o executivo, o mercado vai se sofisticar cada vez mais e ficar mais seletivo. - Cada vez mais o investidor vai cobrar o retorno.