Fonte: JB - ONLINE - 02/12/2007
São Paulo. Com as sucessivas quedas na taxa básica de juros da economia - a taxa Selic, hoje em 11,5% ao ano - aplicações conservadoras como a tradicional caderneta de poupança e os fundos de investimento DI passaram a registrar uma rentabilidade menor. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vive o seu quinto ano consecutivo de alta, ultrapassou os 62 mil pontos, que registram a evolução das ações, e bateu recorde de empresas abrindo capital.
- O processo de aberturas de capital se intensificou a partir de 2004 e trouxe um fluxo de dinheiro nunca antes visto - comenta o sócio-diretor da consultoria Cypress Associates, Luiz Felipe Alves.
A pujança do mercado de capitais brasileiro atraiu muitos investidores novatos para a renda variável, principalmente os que não se importam de correr um risco maior em busca de ganhos também maiores.
Afinal, quando você compra uma ação de uma companhia, torna-se sócio dela. Uma ação nada mais é do que um título negociável que representa uma fração do capital social da empresa. O preço dos papéis variam conforme a expectativa de lucro da companhia. Se as perspectivas para a empresa são boas, o preço sobe. O contrário acontece se as projeções são ruins. Mas lucrar com a alta da ação de uma empresa não é a única maneira de se ganhar na Bolsa.
De acordo com a Lei das Sociedades Anônimas, toda empresa de capital aberto, isto é, listada na Bolsa de Valores, é obrigada a distribuir aos seus acionistas no mínimo 25% de seu lucro líquido em dividendos, que nada mais é do que uma participação nos lucros. Investir em companhias que são boas pagadoras de dividendo, as chamadas "ações de viúva", faz parte da estratégia dos investidores de perfil conservador, que estão mais preocupados no longo prazo e preferem não depender da valorização de uma ação para embolsar os ganhos.
Como o mercado de ações é considerado um investimento arrojado, não é recomendável colocar todo o dinheiro em ações. A diversificação é ideal para diluir os riscos. A Bolsa apresenta volatilidade: se um dia tem um bom desempenho, no outro pode cair. Quando o preço das ações está alto, os investidores querem vender os papéis para embolsar os ganhos, o que faz os títulos ficarem em baixa. O contrário também é verdadeiro. Quando uma ação está com o preço baixo, a tendência é haver maior procura e o preço subir.
- O ideal é investir e vender aos poucos, gradualmente - aconselha o professor de finanças pessoais do Instituto de Educação Financeira da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e autor do livro A Árvore do Dinheiro, Jurandir Sell Macedo. - Os dividendos podem servir para o investidor comprar mais ações e ampliar a carteira.
Sell afirma que, com R$ 1.000, já é possível montar um bom portfólio.
- Para os investidores iniciantes, a dica é comprar papéis de grande porte, as chamadas blue chip. Elas são mais seguras e têm maior liquidez - diz. Também é preciso ter um stop loss, saber qual o máximo de perda que quer ter antes de resolver se desfazer dos papéis.
Um dos novatos na Bolsa é o lutador da seleção brasileira de judô João Gabriel Schlittler, 22 anos. O atleta, que conquistou a medalha de Prata no Pan do Rio, começou a investir em ações há um ano.
- Minha família trabalha com o mercado financeiro e eu comecei a me interessar pelo assunto. Antes, investia em fundos da renda fixa - explica. - Fiz cursos. Tirava dúvidas com meu pai. Pude montar uma carteira de ações conservadoras, como Cesp, Petrobras, Vale do Rio Doce.
Como muitos investidores iniciantes, Schlittler foi surpreendido pela recente queda na Bolsa, pressionada pela crise americana:
- Vendi todas as ações na época, esperei passar a turbulência e voltei a comprar. Desde que retomei os investimentos a Bolsa só subiu.
Outro novo investidor novato é o microempresário mineiro Abílio Pereira Neto, 31 anos, que começou a comprar ações em setembro. Tinha uma boa quantia de dinheiro e resolveu arriscar na Bolsa quando voltou de uma feira de mercado financeiro em Campos do Jordão (SP).
- Acho muito fácil. Acordo às 7h para assistir o canal Bloomberg e ver as estimativas do dia para o mercado. Leio também sites especializados em finanças para buscar informações - conta o empresário que vive em Divinópolis, cidade distante 80 quilômetros de Belo Horizonte. - Quando comecei, comprei papéis da Vale, Petrobras e de bancos. Depois coloquei todo o meu patrimônio nas ações da Vale. Em outubro a companhia distribuiu dividendos. Percebi que tinha R$ 900 a mais na minha conta. Nem sabia o que eram os dividendos, mas fiquei muito feliz. Usei o dinheiro para comprar mais ações.