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Segmento de pequenas e médias empresas deve estrear na Bolsa ainda em 2007

Source: Estadão - 30/11/2007

Segmento de pequenas e médias empresas deve estrear na Bolsa ainda em 2007
Até o final do ano, os investidores terão mais um segmento de empresas em que poderão aplicar. É o Bovespa Mais, segmento voltado às pequenas e médias empresas estreantes no mercado. A Nutriplant, empresa de micronutrientes e fertilizantes para o solo, entrou com o pedido de abertura de capital no final de outubro. Apesar de a oferta estar em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a expectativa da Bolsa de Valores de São Paulo é que ainda em 2007 as ações da companhia comecem a ser negociadas no Bovespa Mais.

Esse segmento de pequenas e médias empresas existe desde 2005, mas até agora nenhuma companhia havia se candidatado. "O Bovespa Mais é o mercado júnior. É o segmento em que as pequenas e médias empresas ganham experiência de mercado e visibilidade entre os investidores", resume o sócio da consultoria Cypress Associates, que prepara empresas em IPOs (Oferta Pública Inicial), Kan Wakabayashi.

A definição quanto ao porte das companhias que podem se listar não é clara e não há um limite de faturamento para a empresa se inscrever no segmento. A captação na abertura de capital, porém, diferencia-se por ser menor. "O volume de captação é muito menor em relação aos outros IPOs. Deve ficar entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões", diz. No mercado tradicional, as captações são de mais de R$ 300 milhões.

Para o investidor, a vantagem dessas empresas é que, apesar delas serem menores, elas seguem algumas regras de governança corporativa semelhantes ao Novo Mercado, segmento da Bolsa com maior nível de transparência e proteção aos pequenos acionistas. No folheto de apresentação do Bovespa Mais, a Bolsa chegou a afirmar inclusive que muitas das futuras companhias tenderiam a migrar para o nível mais elevado de governança, após aumentarem a base acionária.

Baixa liquidez pode ser um problema

Um dos principais riscos apontados por especialistas é o fato de essas companhias poderem apresentar pouca liquidez. Segundo eles, as pequenas e médias empresas não atraem os investidores estrangeiros e causam receio entre os pequenos.

"Por isso, se o investidor quiser comprar, o horizonte de investimento deve ser um pouco maior, de mais de um ano", diz o analista sênior da Mauá Investimentos, Patrick Conrad. Segundo ele, a dica deve ser seguida, pois, se o acionista pensar em investir no papel por um período curto, pode ter dificuldade de vendê-lo.

Há ainda mais três recomendações para os interessados. Além de conhecer o currículo dos administradores, muitas vezes presentes no prospecto da oferta, o investidor deve comparar a empresa com companhias do mesmo segmento. As correlações podem ser sobre o lucro ou até sobre o preço do produto com que ela trabalha.

Entres as empresas de fertilizantes já listadas na Bovespa estão a Fertilizantes Heringer, a Fosfertil e a Yara Brasil.

Além disso, o investidor deve analisar os riscos da própria empresa. No caso da Nutriplant, no prospecto da empresa, há alguns alertas para possíveis riscos do investimento. Entre eles está o fato de a empresa conceder prazos de pagamento a produtores rurais em total equivalente a cerca de 80% da receita líquida da empresa.

Além disso, o investidor deve observar que o setor agrícola no Brasil é cíclico, o que pode resultar em variações significativas na demanda por fertilizantes de um ano para o outro. A empresa alerta ainda no prospecto que o setor de fertilizantes é competitivo, e um aumento da concorrência poderá reduzir a rentabilidade da companhia.

A receita da Nutriplant no primeiro trimestre chegou a R$ 28 milhões e, segundo informa o prospecto, a empresa tem apresentado crescimento médio de receita da ordem de 36% nos últimos três anos.

Por que o segmento não decolou?

Apesar de existir há dois anos, o Bovespa Mais não caiu no gosto das empresas. Um dos motivos é o fato de a abertura de capital ser cara. "No caso das pequenas e médias, o IPO pesa mais, pois a captação é menor", diz o sócio da consultoria Cypress.

Nesse sentido, o modelo da Nutriplant é inovador porque ela conseguiu reduzir custos. Ao invés de contratar um coordenador internacional, por exemplo, que encarece o processo de abertura, a companhia optou por ser coordenada pela HSBC Corretora.

O modelo pode ser seguido por outras empresas, e o investidor pode ter mais opções de aplicações nos próximos anos. "Em Londres, há um mercado parecido que lista 1.600 empresas. No Canadá, a lista de juniores conta com 2.250", afirma Wakabayashi, da Cypress Associates. Segundo ele, esse processo de consolidação do segmento é natural e dentro de cinco anos deve haver mais opções de investimento no Bovespa Mais.

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