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Satipel retoma IPOs em mercado arisco

Fonte: Valor Econômico - 10/09/2007

A fabricante de painéis de MDP (um tipo de aglomerado de madeira) Satipel fará as honras da casa e dará a largada a uma nova rodada de ofertas iniciais (IPO). O ambiente será bem distinto daquele que acalentou lançamentos de R$ 41,2 bilhões nos oito primeiros meses do ano. Depois dos estragos do estouro da bolha imobiliária americana nas praças globais, a percepção é de que os investidores - especialmente os estrangeiros, que levaram, em média, 74,5% das operações - serão mais criteriosos, já que a percepção de risco aumentou.

"Não há por que se falar em uma janela que poderia ser fechada, pois o mercado brasileiro passou por mudanças estruturais, ganhou maturidade", diz Luiz Felipe Alves, sócio da Cypress Associates, consultoria especializada na estruturação de empresas para abertura de capital. "Mas estes últimos meses do ano devem ser de maior seletividade." Mais do que nunca, defende, o foco em governança, com regras claras de convivência duradoura com os minoritários, tende a se refletir na formação de preços dos papéis. A Satipel pretende vender 30,6 milhões de ações ordinárias (ON, com voto) e pode captar cerca de R$ 500 milhões.

Incertezas seguem com "subprime" e ação do Fed

Será um teste e tanto. Depois de a Cosan Limited tocar, em meados de agosto, sua oferta num mercado virado de ponta-cabeça - e captar US$ 1 bilhão a menos do que o previsto, também pelo desconforto pela estrutura que conferia mais poderes ao controlador - o IPO da Satipel ainda pega um clima cercado de dúvidas. A fixação do preço das ações será em 19 de setembro, um dia depois de o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) decidir o rumo do juro americano de curto prazo. Alguns dão como certo que o colegiado cortará em 0,25 ponto percentual a taxa básica. Confirmaria, assim, o sinal dado com a redução do redesconto, com que financia os bancos. Não há unanimidade nisso.

Conforme destaca a estrategista da Fator Corretora, Lika Takahashi, em relatório a clientes, embora o Fed reconheça que aumentaram os riscos de desaceleração econômica, ainda há razões para resistir: preocupações com as pressões inflacionárias e o prejuízo moral de perder credibilidade. Para aqueles que argumentam que além das hipotecas não há nada a temer e que pelo índice preço/lucro (P/L) as ações não estão caras - atualmente o P/L médio das empresas que integram o S&P500 é de 16,5 vezes, próximo da média de 16 vezes dos últimos 30 anos - Lika cita os economistas John Campbell e Robert Shiller, que vêm calculando índices P/L de longo prazo. Com base nos lucros dos últimos dez anos, o índice médio atual do S&P500 é de 27 vezes, o maior em 130 anos, com exceção das duas grandes bolhas.

União de mineradoras?

Na sexta, o Ibovespa subiu 0,30%, para 54.569 pontos, com destaque para as ações PN (sem voto) da Bradespar (+4,26%), além das PNA (+3,49%) e ON (3,39%) da sua controlada Vale do Rio Doce. Os papéis avançaram sob rumores de que a BHP Billiton e a Vale estariam se unindo para comprar a Rio Tinto e dividir os ativos. Um analista considera a operação agressiva e difícil de ser concretizada, já que as potenciais compradoras concorrem em todos os mercados da Rio Tinto.

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