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Ações da Vivo disparam com expectativa de bons resultados

Source: DCI - 12/06/2007

As ações da Vivo dispararam ontem, registrando a maior alta do dia entre as empresas listadas na Bovespa, com crescimento de 6,8%. A oscilação aconteceu por conta dos comentários que o novo presidente e executivo-chefe da divisão da Telefónica para a América Latina, Jose Maria Pallete, fez na última quinta-feira, em um almoço no escritório do Santander, em Londres.

Durante a conversa, Palette falou que os resultados da Vivo, cujo controle é dividido entre Telefónica e Portugal Telecom, já mostraram uma mudança de direção nos primeiros três meses de 2007 e ficarão "ainda melhores neste segundo trimestre".

Sobre a possibilidade de sua sócia sair do empreendimento que têm em comum, o executivo falou que isso depende do que a PT quer fazer estrategicamente, embora isso fosse muito bom para a Telefónica, tendo em vista todas as sinergias que poderiam ser geradas entre Vivo e Telesp.

Na reunião, Palette teria dito que, independentemente das discussões sobre controle societário, a Vivo fará o que tem de fazer. E que mesmo sem haver uma união, Telesp e Vivo trabalharão para capturar sinergias. Uma fusão entre Vivo e Telesp traria compartilhamento de recursos e daria a chance de oferta de quadruple play (telefonia móvel, fixa, Internet e imagem).

Ao discorrer sobre a chance de se criar uma plataforma brasileira de telecomunicações, que viria a partir da fusão entre Oi/Telemar e Brasil Telecom, o executivo da Telefônica sugeriu que este é um passo fácil de ser dado, bastando apenas um decreto presidencial para mudar Plano Geral de Outorgas (PGO), que hoje veda o controle, por um mesmo investidor, de empresas de telefonia que atuam em áreas distintas.

No almoço, o executivo se mostrou entusiasmado com relação à Telemig, operadora de celular que atua em Minas Gerais. Segundo relatos dos analistas que participaram do encontro, Palette disse que o estado é uma região que está crescendo rapidamente, tem alto ARPU (receita média por usuário) e roaming atrativo. Indicou que se trata de um mercado bastante atraente para se ter uma posição de liderança no Brasil. De acordo com ele, pelo preço correto, a empresa estaria disposta a fazer uma oferta pela Telemig.

Sobre a América Móvel, que no Brasil controla a Claro, Palette afirmou que não vê sua rival se tornando extremamente agressiva e pressionando as margens. O melhor exemplo, comentou, foi durante o Dia das Mães, quando a Vivo se mostrou mais agressiva em sua campanha do que a Claro, disse.

O executivo da Telefónica também falou sobre a TIM Brasil. A mensagem-chave transmitida por ele foi: o que quer que aconteça com a TIM, o grupo manterá a Vivo separada de suas outras atividades.

Mercado de ações

Ontem, as ações preferenciais da Vivo subiram 6,55%, chegando a R$ 9,43 na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). As ações ordinárias, com direito a voto chegaram a subir 3,26%, para R$ 15,80.

A Telefónica, que detém 9,96% das ações da Portugal Telecom, tem sinalizado há tempos seu interesse pela compra das ações da companhia na composição da Vivo.

No entanto, a PT já declarou que não pretende sair do Brasil, já que sua participação na operadora móvel brasileira foi o segundo negócio mais rentável no trimestre, representando 37,4% da receita líquida da Portugal Telecom. Para se desfazer da Vivo, a empresa lusa deve investir em outras operadoras brasileiras. Entre os alvos de investimentos estão a Oi e a Brasil Telecom.

Além da Telefónica, a Portugal Telecom tem entre seus seis maiores acionistas a Telmex - do milionário Carlos Slim -, com 3,4% das ações da empresa.

Diante da composição acionária, especula-se que a capacidade de articulação que a Telefónica tem pode influenciar nas decisões da operadora portuguesa. "Antes, é preciso avaliar quais são os direitos que a Telefónica tem por conta de suas ações. Mas isso não é divulgado. E nada impede que acionistas votem em blocos, regidos por um dos acionistas", conta Carlos Parizotto , da consultoria Cypress Associates.

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