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    Vender a empresa não é pecado
    Por: Marcos Hiran V. L. Silva* em 18 de Julho de 2013

    Muitas vezes, as pessoas têm uma visão enganosa de que vender uma empresa é um erro, um pecado. Isso vem provavelmente de uma percepção que as pessoas tinham antigamente de que uma companhia só era vendida em momento de dificuldades, crises ou até beirando um certo desespero. Trata-se de uma percepção patrimonialista, ultrapassada, mas ainda muito comum, principalmente em empresas familiares, que vêm passando de pai para filho ao longo de gerações e gerações.

    Há muitas situações em que faz sentido e pode ser positivo vender a empresa, seja parcialmente ou mesmo 100%, tendo em vista benefícios que a operação pode trazer tanto para os sócios quanto para o próprio negócio. Os dois principais motivadores para uma boa venda são dar liquidez para os sócios atuais ou melhorar o seu desempenho da empresa com a entrada de um sócio. Ou ainda as duas coisas simultaneamente.

    Dar liquidez aos sócios, na prática, significa receber antecipadamente os resultados que a empresa traria no futuro. Quando uma companhia é vendida, os donos trocam a possibilidade de obter um ganho no futuro (resultados esperados) pelo dinheiro no presente, por liquidez. Ou seja, transformam patrimônio (quotas ou ações) em dinheiro – que pode inclusive ser investido em novas oportunidades de negócio e ser multiplicado.

    No caso de uma venda parcial, ou seja, a entrada de um novo sócio, esse pode contribuir bastante para a melhoria do desempenho da empresa. O benefício pode ser não só a injeção de capital na companhia, mas também a incorporação de habilidades complementares, tais como tecnologias mais avançadas, acesso a novos mercados, capacidade de gestão e governança corporativa, etc. Isso aumenta a perspectiva de geração de caixa no futuro, fazendo com que após o investimento a parcela da empresa que permanece com os sócios originais valha mais que os 100% que eles detinham anteriormente.

    Independente do tipo de operação, uma boa venda é aquela feita no momento adequado, com maximização de valor para o vendedor e com um estrutura de transação que proteja e garanta a captura de valor pelos sócios.

    Perspectivas de crescimento de receita e margens, existência de diferenciais competitivos e atuação em mercados com potencial de crescimento e consolidação são exemplos de indicadores de um bom momento para a venda. A maximização de valor e proteção para o vendedor são resultados naturais de um processo conduzido de forma profissional e estruturada, o que pode ser obtido com o apoio de assessores financeiros e jurídicos. Os assessores vão garantir que se extraia o máximo de valor da negociação e que os sócios estejam devidamente protegidos contratualmente em temas como direitos e deveres na sociedade, regras de saída do negócio, responsabilidade por contingências, diluição, futuros aportes de capital, etc., além de evitar a exposição desnecessária dos sócios ao longo da negociação.

    Enfim, para quebrar paradigmas, vale lembrar que a abertura de capital (IPO) nada mais é do que a venda parcial de uma empresa, trazer um aporte financeiro, através da entrada de sócios, visando contribuir com um maior desenvolvimento da empresa. Nem por isso tem-se a percepção de que companhias vão para a bolsa estão cometendo erros. Então, muito diferente de um pecado, fazer uma boa venda da empresa é uma grande virtude.

    *Sócio da Cypress, butique financeira especializada em assessorar empresas na realização de operações estruturadas, Fusões & Aquisições e IPOs

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